Os dados reais do primeiro mês de um eletroposto DC 40 kW
Um ponto de recarga DC de 40 kW em operação no Sul do Brasil registrou, no seu primeiro mês completo de operação, os seguintes números:
Os primeiros 11 dias do mês não entraram na conta: o ponto ainda estava em fase de instalação e ativação. Descontando esse período, restam 19 dias reais de operação. Convertendo o consumo para horas de uso na potência nominal, o ponto operou a aproximadamente 43,7 horas por semana assim que entrou em regime.
Com custo de energia de R$ 0,84/kWh e custo fixo mensal de R$ 540, o resultado líquido do período foi:
Por que a utilização semanal é o indicador que importa
Na nossa metodologia de análise de viabilidade para eletropostos, classificamos a ocupação semanal de um ponto em faixas. Cada faixa implica um resultado mensal estimado e um prazo de payback diferente, assumindo as mesmas premissas de custo e preço deste caso:
| Uso semanal | Classificação | Resultado mensal est.* | Payback est.* |
|---|---|---|---|
| Menos de 10h | Ruim | Abaixo de R$ 1.200 | Inviável |
| 10h a 20h | Fraco | R$ 1.200 a R$ 3.000 | 2,6 a 6 anos |
| 20h a 30h | Viável | R$ 3.000 a R$ 4.700 | 1,6 a 2,5 anos |
| 30h a 40h | Bom | R$ 4.700 a R$ 6.500 | 14 a 19 meses |
| 40h a 60h | Muito bom | R$ 6.500 a R$ 10.000 | 9 a 14 meses |
| Acima de 60h | Excelente | Acima de R$ 10.000 | Menos de 9 meses |
* Esses números foram desenvolvidos com base nas premissas deste caso específico e devem ser personalizados para cada proposta. Para uma análise do seu ponto de carregamento e viabilidade, entre em contato com a Burtet Engenharia.
Com 43,7 horas por semana, esse ponto ficou na faixa "muito bom". E o preço de R$ 1,85/kWh confirmou, na prática, que a recarga rápida se sustenta comercialmente sem precisar de subsídio.
O modelo projetado versus o resultado real
Antes de existir qualquer dado real para comparar, o modelo financeiro de viabilidade para eletropostos da Burtet Engenharia já projetava o resultado esperado de um ponto operando a 40 horas semanais, com as mesmas premissas de custo e preço:
Projetado pelo modelo
40h/semana, 19 dias de operação
R$ 3.846,29
Resultado real
43,7h/semana, 19 dias de operação
R$ 4.254,10
O resultado real superou o projetado em R$ 407,81, o que corresponde a 10,6% acima da projeção. A diferença vem de um único fator: o ponto operou a 43,7h/semana, acima das 40h/semana usadas como referência no modelo.
Isso reforça que os parâmetros usados na análise de viabilidade batem com o que o mercado está entregando, e que um ponto bem posicionado tende a superar, não a ficar aquém, da projeção conservadora.
O payback de um eletroposto DC em boa localização
Projetando o desempenho do ponto para um mês cheio, a 40 horas semanais (cenário conservador, abaixo do que o ponto real entregou):
Com investimento total de R$ 92.000 e resultado mensal de R$ 6.462,33, o payback do ponto fica em 14,2 meses. Com a utilização real de 43,7h/semana, o resultado mensal sobe para R$ 7.111 e o payback cai para cerca de 13 meses.
Para efeito de comparação: um ponto que opera a apenas 10 horas semanais gera cerca de R$ 1.210 por mês de resultado líquido, e o payback se torna inviável, superior a 6 anos. A diferença entre as duas situações não está no equipamento. Está na escolha do local.
O que determina quantas horas por semana um eletroposto vai ser usado
A utilização semanal de um ponto de carregamento é resultado de variáveis que uma análise de viabilidade avalia antes da instalação:
- Fluxo de veículos elétricos na via e no entorno: a concentração de VEs na cidade e na rota onde o ponto está instalado define o teto de utilização possível. Regiões com alta penetração de VEs têm potencial de utilização maior.
- Tempo médio de permanência do público no local: a análise busca equilibrar o tempo de permanência ideal para o local, levando em conta os arredores para definir o tamanho do carregador.
- Visibilidade e facilidade de acesso: pontos dentro de estacionamentos fechados, sem sinalização na via pública, têm taxa de descoberta muito menor do que pontos visíveis da rua.
- Concorrência de outros pontos de recarga na região: o mapeamento de pontos existentes num raio de 5 km define se o novo ponto vai capturar demanda reprimida ou dividir a já existente.
- Capacidade elétrica disponível no ponto: sem demanda elétrica adequada no local, o ponto opera com potência limitada ou exige obra pesada de infraestrutura, o que afeta o custo de implantação e o desempenho.
- Projeção de curva de ocupação nos primeiros meses: eletropostos têm ramp-up gradual, à medida que usuários descobrem o ponto. Um modelo de viabilidade bem feito projeta essa curva para não confundir o desempenho do primeiro mês com o regime estabilizado.
Sem essa análise prévia, o risco não é só operar abaixo do ideal: é comprometer capital em um ponto que nunca vai pagar o investimento de volta.
O que o mercado brasileiro de eletropostos mostra hoje
O Brasil está em fase acelerada de crescimento da frota de veículos elétricos. Em 2025, as vendas de VEs (incluindo híbridos plug-in) ultrapassaram 5% do total de automóveis vendidos nos principais mercados urbanos. A infraestrutura de recarga ainda não acompanhou esse crescimento, o que significa que pontos bem posicionados estão operando em utilização alta sem sofrer pressão competitiva.
O preço de R$ 1,85/kWh para recarga DC rápida está bem abaixo do custo de abastecimento equivalente de um veículo a combustão, mesmo com a gasolina no patamar atual. Para o usuário final, recarregar a R$ 1,85/kWh em um veículo com eficiência de 6 km/kWh custa R$ 0,31/km. Um carro a gasolina com consumo de 12 km/l, à R$ 6,20/l, custa R$ 0,52/km. A vantagem do elétrico no custo por quilômetro é o argumento que sustenta a adoção e, consequentemente, a demanda por eletropostos.
Para o operador do ponto, a margem de R$ 1,01/kWh (diferença entre preço de venda e custo de energia) é o que financia o investimento. Essa margem é protegida enquanto o custo de energia do ponto permanecer controlado e o preço de mercado se manter no patamar de R$ 1,50 a R$ 2,00/kWh, que é onde a maioria dos operadores ativos no Brasil está operando hoje.
Perguntas frequentes sobre eletropostos
O que é um eletroposto e como funciona?
Um eletroposto é um ponto de recarga para veículos elétricos instalado em local público ou privado de acesso ao público. O modelo mais rentável para investidores é o carregador DC (corrente contínua) de recarga rápida, com potências entre 30 kW e 120 kW. O veículo conecta por um cabo CCS2, CHAdeMO ou NACS, e o sistema transfere energia diretamente para a bateria, sem converter pelo carregador embarcado. A cobrança é feita por kWh consumido, gerenciada por uma plataforma de rede.
Quanto custa instalar um eletroposto de recarga rápida?
Um ponto de carregamento DC de 40 kW tem custo total de implantação em torno de R$ 92.000, incluindo o equipamento, a infraestrutura elétrica, a obra civil e a conexão com a rede da distribuidora. Esse valor varia conforme a potência do carregador, a capacidade elétrica disponível no ponto e as condições da obra. Pontos com demanda elétrica já disponível e boa posição na rede têm custo menor.
Qual o retorno financeiro de um eletroposto?
Com um ponto DC de 40 kW operando a 40 horas semanais, preço de venda de R$ 1,85/kWh, custo de energia de R$ 0,84/kWh e custo fixo de R$ 540/mês, o resultado líquido mensal fica em torno de R$ 6.460. Com investimento de R$ 92.000, o payback é de aproximadamente 14 meses. O resultado varia diretamente com a utilização: pontos em boa localização chegam a 40 a 60 horas de uso semanal; pontos mal posicionados ficam abaixo de 10 horas e não pagam o investimento em prazo aceitável.
Quantas horas por semana um eletroposto precisa operar para ser viável?
A faixa de viabilidade começa em 20 horas semanais, com resultado mensal estimado entre R$ 3.000 e R$ 4.700 e payback de 1,6 a 2,5 anos. Acima de 40 horas semanais, o ponto entra na faixa "muito bom" e o payback cai para menos de 14 meses. A classificação de utilização é: abaixo de 10h (ruim), 10 a 20h (fraco), 20 a 30h (viável), 30 a 40h (bom), 40 a 60h (muito bom), acima de 60h (excelente).
O que determina quantas horas por semana um eletroposto vai ser usado?
A utilização é determinada principalmente pela localização: fluxo de veículos elétricos na região, tempo médio de permanência do público no local, visibilidade e facilidade de acesso, concorrência de outros pontos de recarga próximos e a curva de adoção de VEs na cidade. Estabelecimentos com alto tempo de permanência, como restaurantes, shopping centers e hospitais, tendem a gerar mais horas de uso do que postos de combustível ou conveniências rápidas.